Filosofia dos Jogos - O Uso de Máscaras

Filosofia nos jogos: Máscaras

O “Filosofia nos jogos” tem a expectativa de ter posts mensais/semanais (dependendo do relaxo de quem vos fala) e visa, de forma descompromissada, levantar alguns temas abordados nos jogos (um jogo por post) e refletirmos/discutirmos a respeito.

Afirmar “gosto de videogame” não diz muita coisa hoje em dia, seria como afirmar “gosto de assistir filmes”. Os diferentes estilos de jogos e também seu público cresceram de forma absurda, e hoje mais do que nunca temos dezenas de jogos que abordam temas, dos mais diversos, seja de forma direta ou indireta.

Para começar escolhemos Hollow Knight, um metroidvania com elementos de Dark Souls e um visual à la Tim Burton. Hollow Knight tem uma história rica e cheia de detalhes, curiosamente duas pessoas podem experienciar de forma totalmente distinta esse jogo, você pode jogar tanto focado no universo e seus mistérios, quanto jogar focado em sua mecânica e dificuldade, e sim, você vai passar nervoso não importa como jogue.

Mas vamos ao que interessa: o uso de máscaras. No universo de Hollow Knight todos os personagens são insetos, e são conscientes aqueles que possuem rosto e a partir desse rosto uma identidade.

Com a chegada do rei branco os insetos se tornaram mais inteligentes e o rei contratou um “criador de máscaras” para assim dar um rosto a quem antes não tinha e acelerar o crescimento de seu domínio.

Curiosamente alguns insetos que já possuíam um rosto passaram a utilizar máscaras e agir de acordo com suas “novas” máscaras.

A analogia da máscara com identidade é algo muito forte em nossa sociedade, nós utilizamos diversas máscaras, o Instagram talvez seja a mais icônica delas pois a rede é apenas um recorte escolhido a dedo de nossas vidas que aos outros parece a totalidade dela, eventualmente parece para muitos de nós mesmos também.

E quanto aos insetos que possuem rosto e ainda assim utilizam máscaras? Esconder/mascarar é um recurso interessante de nossa sociedade utilizado para diversos fins de forma consciente e/ou inconsciente, a bagunça é tão grande que temos uma aparente dificuldade de aceitar que pouco importa se é rosto ou máscara, ao entrar nesse jogo de interpretação criamos paranóias que não beneficiam a nenhum dos lados, entretanto visualizar a todos apenas por suas máscaras/rostos claramente não é a solução.

A também identificação de grupos a partir de suas máscaras e toda a discriminação e preconceito gerado pelos dois lados, somos seres sociais e preconceituosos, talvez a questão não seja abordar o preconceito em si (afinal todos temos) e sim o que fazemos com nosso preconceito, seja enquanto sociedade ou indivíduo.

E fico por aqui, como toda boa questão filosófica, não acredito que exista uma resposta universal para o problema.

Mês que vem o tema será Death Stranding / O que nos move?

Ah, qualquer tema e/ou jogo que queiram em pauta é só falar.

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